Amazon Leo quer rede de 5 mil satélites de internet para celular

Constelação em órbita baixa deve levar conexão direta a celulares em áreas sem cobertura de operadoras. Serviço está previsto para começar em 2028.

Gabriel Sérvio
Resumo
  • Amazon Leo solicitou autorização à Comissão Federal de Comunicações dos EUA (FCC) para lançar 5.105 satélites.
  • O objetivo é criar uma rede de internet para dispositivos móveis em áreas isoladas.
  • A implantação da constelação de satélites está prevista para começar em 2028 e utilizará o espectro de frequências da Globalstar.

A Amazon Leo, braço de telecomunicações da gigante do varejo, solicitou autorização à Comissão Federal de Comunicações dos EUA (FCC) para lançar até 5.105 novos satélites. O plano é criar uma rede em órbita baixa da Terra capaz de levar serviços de internet direto para dispositivos móveis.

A proposta tem como público-alvo usuários em áreas isoladas e fora do alcance das torres de celular tradicionais. A expectativa é que a implantação dessa constelação comece em 2028. Para viabilizar a operação, a empresa vai utilizar o espectro de frequências da Globalstar.

Em abril deste ano, as duas companhias assinaram um acordo de fusão que transferiu para a Amazon toda a infraestrutura, operações e licenças de serviços móveis por satélite da parceira.

Como a internet via satélite da Amazon vai funcionar?

O novo ecossistema será integrado às constelações de banda larga que a companhia já mantém no espaço. A grande promessa do sistema Direct-to-Device (D2D) do Amazon Leo é a facilidade de uso para o consumidor final. A rede vai se conectar a qualquer dispositivo móvel compatível, tirando proveito dos chips de comunicação via satélite que já equipam smartphones modernos e sem exigir a instalação de antenas.

Na prática, a novidade será um complemento para as operadoras. Quando um cliente entrar em uma área de sombra e perder o sinal terrestre, o aparelho acessará a rede no espaço para garantir a continuidade da comunicação (desde a troca de mensagens até respostas a desastres e alertas de emergência).

Ilustração do direct-to-device mostra um celular sendo segurado em uma mão, com um satélite em órbita desenhado ao fundo
Tecnologia visa facilitar o envio de mensagens e alertas de resgate (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)

Para que a cobertura seja fluida, a infraestrutura espacial da empresa será dividida em diferentes camadas orbitais. Algumas focarão nas latitudes médias para atender regiões mais populosas, enquanto outras terão inclinação acentuada para garantir que o serviço também chegue aos polos e altas latitudes do planeta.

Os satélites se comunicarão com os celulares utilizando frequências de rádio nas bandas L e S. Para ligar essa rede espacial de volta à internet convencional, os equipamentos em órbita usarão links de altíssima capacidade nas bandas Ka e V, comunicando-se com as estações da Amazon na Terra.

Essa base tecnológica já nasce com demanda garantida. A Amazon possui um acordo com a Apple para fornecer conectividade para iPhones e Apple Watches, garantindo o funcionamento de recursos como o SOS de Emergência via satélite, o envio de mensagens, atualizações na rede Buscar (Find My) e o acionamento de Assistência Rodoviária.

Brasil está no radar da Amazon Leo

Imagem mostra um acampamento à noite com pessoas usando smartphone sob padrão de conexão por satélite
Expansão acirra embate regulatório com a SpaceX (imagem: reprodução/Amazon Leo)

A expansão da Amazon Leo a coloca em rota de disputa com a SpaceX, que no começo do ano protocolou na mesma FCC um pedido para lançar uma constelação colossal composta por um milhão de satélites. Apesar de o serviço focado em celulares estar previsto para 2028, a infraestrutura de banda larga da Amazon segue avançando.

A empresa já possui mais de 390 satélites de primeira geração operando em órbita e o serviço fixo corporativo e residencial deve começar a ser ativado comercialmente até o final deste ano. O mercado brasileiro faz parte dessa estratégia.

Como já adiantamos aqui no Tecnoblog, o Brasil está no radar do Amazon Leo. O serviço deve bater de frente com a Starlink em conexão de alta velocidade para áreas remotas do país. Diferente do acesso via smartphone, essa conexão fixa exige antenas receptoras, como a Leo Ultra.

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Gabriel Sérvio

Gabriel Sérvio

Gabriel Sérvio é formado em Comunicação Social pelo Centro Universitário Geraldo Di Biase. Contribuiu para veículos como Canaltech, TudoCelular e Olhar Digital. Atualmente, escreve para o Tecnoblog.