Cade rejeita pedido da Keeta, mas mantém investigação sobre 99Food
Entidade recusa medida preventiva por falta de informações, mas reconhece preocupações com setor de delivery
Entidade recusa medida preventiva por falta de informações, mas reconhece preocupações com setor de delivery

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) rejeitou um pedido da Keeta contra cláusulas de exclusividade da 99Food com restaurantes, que impediriam os estabelecimentos de fechar parcerias comerciais com a própria Keeta e com o Rappi.
Na decisão publicada na quarta-feira (03/09), o presidente interino do Tribunal Administrativo do Cade e relator do processo, Diogo Thompson de Andrade, considerou que não havia elementos de certeza suficientes que justificassem uma intervenção.
Apesar de negar a solicitação, o órgão regulador reconheceu que os termos dos acordos representam preocupações concorrenciais. O inquérito administrativo continua, com uma investigação sobre as condutas das duas empresas e os impactos para o mercado de delivery.
Em agosto de 2025, a Keeta acusou a 99Food de comportamento anticompetitivo e solicitou ao Cade uma medida preventiva para impedir o que ela chama de “cláusulas de banimento”.
A Keeta afirma que a 99Food coloca cláusulas que impediriam restaurantes de fechar parcerias comerciais com Keeta e Rappi. As duas empresas teriam sido citadas nominalmente nos documentos, ao contrário do iFood, líder de mercado. Para a Keeta, isso constitui uma tentativa de formar um duopólio.

A 99Food rebateu as alegações e acusou a própria Keeta de supostamente aplicar cláusulas restritivas nos acordos com os estabelecimentos.
Como analisa o Valor Econômico, a derrota pode prejudicar a expansão dos negócios da Keeta. A empresa ainda não chegou ao Rio de Janeiro e não cumpriu seu objetivo de estar em 100 cidades até a metade de 2026 — até o momento, são apenas 11 municípios.
Em nota, a 99 afirmou receber com tranquilidade a recusa da medida preventiva e também a decisão da continuidade da investigação. A empresa ainda elogiou a decisão de incluir outras empresas na análise, já que considera que isso permite “construir um retrato mais completo de como o mercado de delivery opera hoje como um todo”.
Já a Keeta afirmou que o “segmento de delivery de comida continua fechado e disfuncional”. A empresa considera que isso prejudica plataformas, restaurantes, entregadores e consumidores. “Cada dia sem uma decisão definitiva tem um custo concreto e diário para todo o ecossistema”, lamenta a companhia.
Com informações do Poder360, do Valor Econômico e do Mobile Time
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