iPhone de Vorcaro: como a PF obteve as mensagens apagadas

Banqueiro usava a visualização única do WhatsApp para enviar capturas de tela. Registros do iOS ajudaram a reconstruir as conversas.

Bruno Andrade
Por • Bauru, SP
• Atualizado às 15:59
Resumo
  • Polícia Federal recuperou mensagens enviadas por Daniel Vorcaro pelo WhatsApp com visualização única.
  • A PF utilizou registros do iOS e ferramentas de perícia digital Cellebrite e IPED para extrair e organizar os dados do aparelho.
  • Foram analisados 31.975 logs e 43.298 registros de uso de aplicativos para identificar o padrão em 52 mensagens.

A Polícia Federal conseguiu reconstruir as mensagens que o banqueiro Daniel Vorcaro enviava pelo WhatsApp com o recurso de visualização única. O relatório da investigação, cujo sigilo foi revogado pelo ministro do STF André Mendonça nessa terça-feira (01/09) e obtido pelo Tecnoblog, detalham como a polícia conseguiu identificar as mensagens. Entenda melhor nas linhas a seguir.

Vorcaro é investigado por suspeitas de irregularidades envolvendo o Banco Master. Os registros foram recuperados durante a perícia num dos iPhones do banqueiro, que não escrevia as mensagens diretamente no WhatsApp. Segundo a PF, o procedimento adotado por Vorcaro seguia esta sequência: 

  1. Daniel Vorcaro abria o aplicativo Notas do iPhone 17 Pro
  2. Escrevia a mensagem por lá e, depois, fazia uma captura da tela
  3. O iOS gerava automaticamente um arquivo em PDF dessa captura
  4. A imagem capturada era enviada como visualização única para os contatos, como o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal

Durante a perícia, os investigadores recuperaram esses documentos de uma pasta temporária do iPhone e cruzaram o conteúdo com as capturas de tela e outros registros do aparelho. Os PDFs gerados pelo iOS preservavam o texto das mensagens, permitindo aos peritos reconstruir as conversas e relacioná-las aos envios feitos via WhatsApp.

Arquivos do iOS ajudaram a PF

Em um dos casos, a PF identificou, no dia 17 de novembro de 2025, cinco registros correspondentes aos envios. Isso permitiu que os peritos relacionassem os dados armazenados no iOS às comunicações feitas pelo WhatsApp. A PF também cruzou os arquivos temporários com registros de atividade do iPhone: foram analisados 31.975 logs e 43.298 registros de uso de aplicativos.

“O mesmo padrão de correspondência exata foi constatado nas demais conversas analisadas no dispositivo”, afirma o relatório. A investigação identificou o padrão em 52 mensagens. Para extrair e organizar os dados do aparelho, a PF utilizou as ferramentas de perícia digital Cellebrite e IPED.

Não é uma prática comum

Ainda assim, não significa que mensagens de visualização única possam ser recuperadas normalmente. A perícia conseguiu reconstruir os conteúdos porque Vorcaro, na verdade, enviava imagens para os contatos.

A visualização única controla a disponibilidade da mídia dentro do WhatsApp, que utiliza criptografia de ponta a ponta. Ela não impede, porém, que o sistema operacional ou outros aplicativos envolvidos no processo criem arquivos temporários e registros de atividade – como foi o caso.

Relacionados

Escrito por

Bruno Andrade

Bruno Andrade

Analista de conteúdo

Bruno Andrade é jornalista formado pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) e técnico em eletrônica. Antes de se juntar ao Tecnoblog, trabalhou na reportagem e na edição de homepage do portal iG. Tem experiência como redator, repórter e editor.