iPhone de Vorcaro: como a PF obteve as mensagens apagadas
Banqueiro usava a visualização única do WhatsApp para enviar capturas de tela. Registros do iOS ajudaram a reconstruir as conversas.
Banqueiro usava a visualização única do WhatsApp para enviar capturas de tela. Registros do iOS ajudaram a reconstruir as conversas.

A Polícia Federal conseguiu reconstruir as mensagens que o banqueiro Daniel Vorcaro enviava pelo WhatsApp com o recurso de visualização única. O relatório da investigação, cujo sigilo foi revogado pelo ministro do STF André Mendonça nessa terça-feira (01/09) e obtido pelo Tecnoblog, detalham como a polícia conseguiu identificar as mensagens. Entenda melhor nas linhas a seguir.
Vorcaro é investigado por suspeitas de irregularidades envolvendo o Banco Master. Os registros foram recuperados durante a perícia num dos iPhones do banqueiro, que não escrevia as mensagens diretamente no WhatsApp. Segundo a PF, o procedimento adotado por Vorcaro seguia esta sequência:
Durante a perícia, os investigadores recuperaram esses documentos de uma pasta temporária do iPhone e cruzaram o conteúdo com as capturas de tela e outros registros do aparelho. Os PDFs gerados pelo iOS preservavam o texto das mensagens, permitindo aos peritos reconstruir as conversas e relacioná-las aos envios feitos via WhatsApp.
Em um dos casos, a PF identificou, no dia 17 de novembro de 2025, cinco registros correspondentes aos envios. Isso permitiu que os peritos relacionassem os dados armazenados no iOS às comunicações feitas pelo WhatsApp. A PF também cruzou os arquivos temporários com registros de atividade do iPhone: foram analisados 31.975 logs e 43.298 registros de uso de aplicativos.
“O mesmo padrão de correspondência exata foi constatado nas demais conversas analisadas no dispositivo”, afirma o relatório. A investigação identificou o padrão em 52 mensagens. Para extrair e organizar os dados do aparelho, a PF utilizou as ferramentas de perícia digital Cellebrite e IPED.

Ainda assim, não significa que mensagens de visualização única possam ser recuperadas normalmente. A perícia conseguiu reconstruir os conteúdos porque Vorcaro, na verdade, enviava imagens para os contatos.
A visualização única controla a disponibilidade da mídia dentro do WhatsApp, que utiliza criptografia de ponta a ponta. Ela não impede, porém, que o sistema operacional ou outros aplicativos envolvidos no processo criem arquivos temporários e registros de atividade – como foi o caso.
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