Novo malware trava Mac até que usuário entregue a senha
ClickLock Stealer usa sites falsos para induzir vítimas a executar comandos no Terminal do macOS.
ClickLock Stealer usa sites falsos para induzir vítimas a executar comandos no Terminal do macOS.

A empresa de cibersegurança Group-IB descobriu uma nova ameaça global que mira usuários do sistema macOS. Conhecido como ClickLock Stealer, o malware trava o uso da máquina, fechando aplicativos sem parar até que a vítima revele sua senha de administrador.
O código malicioso foi descoberto em maio e já atingiu alvos em 33 países. Segundo os pesquisadores da companhia, ele pode extrair dados sensíveis, como credenciais bancárias e carteiras de criptomoedas.
Diferente de golpes sofisticados que exploram falhas de software, essa infecção ocorre por engenharia social. Ou seja, ela engana o próprio usuário e depende apenas de um erro humano: a vítima deve copiar um código malicioso de uma página da web no Terminal do macOS (a ferramenta de linha de comando).

O processo começa em sites falsos que imitam etapas de checagem comuns na internet, como testes anti-bot ou avisos de proteção disparados pelo navegador. A página maliciosa instrui o visitante a copiar um comando e executá-lo no Terminal do Mac como um “requisito obrigatório” para liberar o acesso ao conteúdo do site.
Assim que a vítima roda o código, ele baixa diversos módulos em segundo plano e chega a exibir uma falsa animação de carregamento, fazendo o usuário acreditar que a verificação de segurança está funcionando. É nesse momento que o macOS exibe uma janela solicitando a senha de administrador do usuário.
Se a vítima desconfiar e recusar a solicitação, o malware entra em modo de bloqueio e passa a encerrar os aplicativos abertos a cada 210 milissegundos. Ao mesmo tempo, notificações de segurança são desativadas por até seis horas.
Na prática, a máquina fica inutilizável até que o usuário desista pelo cansaço e libere a senha. Logo em seguida, uma segunda solicitação de senha libera as Chaves do iCloud (o Keychain). Ao autorizar essa etapa, o usuário também concede a chave do sistema de armazenamento de senhas do Google Chrome.
Com o caminho livre, o malware varre o computador em segundos, coletando credenciais armazenadas no navegador, as informações do Keychain, dados de gerenciadores de senhas e os acessos a eventuais carteiras de criptomoedas. Todos esses dados são enviados para um bot no Telegram controlado pelos invasores.
Para piorar a situação, a ameaça ainda instala um backdoor que garante o controle do Mac mesmo após desligar e ligar a máquina. Segundo o levantamento da Group-IB, pelo menos 100 vítimas já foram afetadas, com mais da metade dos casos concentrados na Europa.

Para combater táticas que abusam da linha de comando, a Apple adicionou no macOS Tahoe 26.4 um recurso que impede esse tipo de infecção antes que o estrago aconteça. O sistema da Maçã agora exibe um alerta de segurança sempre que o usuário tenta colar um comando copiado da internet ou de um aplicativo de terceiros no Terminal.
A função bloqueia a execução automática do script e, se o macOS identificar que o código colado pertence a uma assinatura de malware já conhecida, a colagem é bloqueada. Os navegadores também têm adotado medidas parecidas. O Opera, por exemplo, introduziu recentemente um recurso que alerta sobre a execução de comandos perigosos.
Ainda assim, especialistas apontam que a principal forma de proteção é a prevenção. A regra de ouro é: nenhum site legítimo, serviço de nuvem ou teste de verificação pedirá para executar códigos no seu computador.
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