Meta vai pagar US$ 16,6 bilhões por danos a crianças e adolescentes
Acordo nos EUA prevê limites de tempo e novas restrições para contas de menores no Facebook e Instagram.
Acordo nos EUA prevê limites de tempo e novas restrições para contas de menores no Facebook e Instagram.

A Meta concordou em pagar até US$ 16,68 bilhões (aproximadamente R$ 86 bilhões) para encerrar acusações de projetar suas redes sociais para aumentar o uso compulsivo por crianças e adolescentes. O acordo também prevê mudanças no Facebook e Instagram, incluindo limites de tempo e restrições para contas de menores.
O processo foi levado em agosto a um tribunal federal na Califórnia, nos Estados Unidos, por promotorias de 29 estados do país. As autoridades chegaram a pedir punições que poderiam alcançar US$ 1,4 trilhão (R$ 7,2 trilhões).
Mesmo diante do acordo, a Meta nega ter cometido as irregularidades, segundo a agência Reuters. A defesa da companhia argumenta que não poderia ter enganado consumidores porque há reconhecimento formal do “vício em redes sociais” como uma condição psiquiátrica.
Como parte do acerto judicial, a empresa adotará novas restrições para usuários menores de idade nos EUA:
O design dessas plataformas também entrou na mira das autoridades brasileiras com a entrada em vigor do ECA Digital, neste ano. A Meta ainda enfrenta investigação da União Europeia pelo mesmo problema.

As acusações sustentavam que a Meta desenvolveu recursos para manter crianças e adolescentes conectados pelo maior tempo possível. Entre os exemplos citados estão a rolagem infinita, notificações frequentes e sistemas de recomendação voltados a prolongar o uso.
O processo também relacionava a permanência nas plataformas a problemas de sono e de imagem corporal entre jovens.
Segundo os promotores, a Meta teria coletado dados de usuários que sabia terem menos de 13 anos sem a notificação ou consentimento dos responsáveis, ferindo a Lei de Proteção da Privacidade Online das Crianças (COPPA) — uma espécie de LGPD voltada às crianças nos EUA. A acusação afirma que os dados foram usados para treinar sistemas, como modelos de IA generativa.
Parte do pacote envolve ainda processos relacionados ao escândalo da Cambridge Analytica. Cerca de US$ 459 milhões (R$ 2,3 bilhões) serão destiandos a ações movidas pelos estados da Califórnia, Illinois, Novo México e Washington D.C, relacionadas a violações de privacidade.
O acordo, porém, não encerra a pressão judicial sobre a Meta em relação à proteção de menores. A empresa continua respondendo a outros processos nos Estados Unidos, assim como ByteDance, dona do TikTok, Alphabet, responsável pelo YouTube, e Snapchat.
No Novo México, por exemplo, um júri condenou a Meta em março a pagar US$ 375 milhões (R$ 1,9 bilhão) e, em agosto, outra multa: US$ 567 milhões (R$ 2,9 bilhões) em punições relacionadas à proteção de menores.
Outro caso, encerrado em março em Los Angeles, considerou Meta e Google civilmente responsáveis por danos à saúde mental de uma usuária que começou a utilizar as plataformas aos 9 anos. A indenização foi fixada em US$ 6 milhões (R$ 30 milhões).
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