A evolução das inteligências artificiais (IA) capazes de gerar imagens também aumentou a preocupação de donos de direitos autorais quanto ao uso de obras no treinamento da tecnologia. Midjourney, um dos alvos de processo nos EUA por esse problema, quer virar o jogo: a empresa pediu à Justiça que obrigue grandes estúdios de Hollywood a revelar como usam IA em filmes, séries, marketing e outras etapas de produção.

Midjourney e o Processo
O pedido faz parte da defesa do Midjourney em um processo aberto pela Disney e Universal em junho de 2025. As empresas acusam o gerador de imagens de permitir a criação de versões não autorizadas de personagens sob direitos autorais, de franquias como Frozen e Star Wars. Segundo o TechCrunch, a Warner, dona de franquias como DC Comics e Harry Potter, também entrou na ação meses depois.
A Popularização de Midjourney
O Midjourney se popularizou entre 2021 e 2022, anos antes dos primeiros modelos comerciais de imagem da OpenAI e do Google. Na época, o fundador David Holz já afirmava que a plataforma era bem-sucedida, tendo atingido US$ 300 milhões de lucro em 2024 (cerca de R$ 1,5 bilhão), dizem os estúdios no processo.
O Pedido de Revelação de Como Usam IA
Inicialmente, a plataforma alegava que o uso dos materiais protegidos são de uso justo, segundo a legislação estadunidense, e tentava provar que essa prática já ocorre até mesmo dentro da indústria. No entanto, durante a fase de produção de provas, quando as partes juntam informações que podem ser usadas no processo, o juiz havia determinado que os estúdios entregassem documentos sobre aplicações de IA voltadas ao consumidor final.
Para o Midjourney, esse recorte é muito específico e permite que os estúdios entreguem apenas os materiais mais convenientes para sustentar a acusação. Segundo a revista Variety, o Midjourney quer acesso a diversos materiais que mostrem como os estúdios usam ou pretendem usar a IA generativa, entre eles:
- Apresentações feitas a conselhos administrativos
- Ideias, artes conceituais, storyboards ou materiais de apoio à produção gerados por IA
- A empresa também quer saber se os estúdios treinam modelos de geração de imagem próprios com dados protegidos por direitos autorais de terceiros, mesmo que usem essas ferramentas apenas internamente.
A Tese da Midjourney
A tese da Midjourney é que esse material pode revelar se os estúdios usam IA generativa em processos parecidos com aqueles que criticam na ação. Segundo a empresa, se as produtoras “estão fazendo exatamente o que procuram punir, essa evidência vai ao cerne do uso justo”.
A Reação dos Estúdios
Os estúdios tentam barrar a solicitação, classificando-a como uma fishing expedition, o bom e velho “jogar verde para colher maduro” em português. Para os estúdios, o caso não é sobre impedir o avanço da inteligência artificial ou acabar com a Midjourney. A acusação afirma que a empresa deve parar de copiar filmes, séries e personagens famosos sem autorização, além de deixar de distribuir publicamente imagens derivadas dessas obras.
Conclusão
A batalha entre Midjourney e estúdios de Hollywood pela IA revela uma complexa interseção entre tecnologia, direitos autorais e o uso comercial de obras protegidas. O caso tem potencial para moldar o futuro da IA e do entretenimento, levando a discussões sobre o uso justo e a responsabilidade das empresas em um mundo cada vez mais digitalizado.